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Tema anual: Reflexão para o mês de Julho PDF Imprimir e-mail
A caridade cobre uma multidão de pecados.
(1Pe 4,8)

O trecho que comentamos é da primeira carta de São Pedro e faz parte de uma exortação do Apostolo às comunidades que se encontram em dificuldade. Nos momentos difíceis é normal, antes como agora, pensar nas coisas que não fizemos bem, nas nossas limitações e, às vezes, nos nossos pecados que contribuíram para que a situação se tornasse negativa.

Pedro teve uma experiência negativa em relação ao seguimento de Jesus. Três vezes O negou e isto  deixou-o  como que deprimido. Recuperou quando abertamente, por três vezes também, confessou o seu amor a Jesus. O seu amor para com o Mestre cobriu as três negações.

A caridade está fundamentada no amor e é expressão concreta dele. Às vezes  pode-se  contrapor com a justiça. Escutamos que, aqui e acolá há menos caridade e mais justiça. As duas caminham juntas. O cristão deve lutar por uma sociedade mais justa onde todas as pessoas tenham igualdade de oportunidades em todos os sectores da vida social e. ao mesmo tempo, deve dar um pouco de pão àquele que não tem nada para comer. No fundo, tenhamos presente o espírito e a letra do “estive na prisão e me visitaste ou tive fome e me deste de comer”. Como cristãos devemos afirmar que a justiça nasce da caridade e a caridade deve trabalhar incansavelmente pela justiça.

Podemos parafrasear o prólogo do evangelho de João dizendo que no “princípio era o amor” porque ele escreverá depois na sua primeira carta que “Deus é amor”. Santo Agostinho vai escrever: “Mesmo não se dissesse absolutamente nada mais nas páginas da Escritura e só ouvíssemos da boca do Espírito de Deus que Deus é amor, nada mais deveríamos procurar”.

Jesus pediu-nos de nos amar-nos uns aos outros como Ele nos amou (Jo, 13,34) e entre os seus seguidores sempre deve haver um lugar de honra para os que mais precisarem. Gostei sempre do  que escreveu o prémio Nobel de Literatura Heinrich Böll: “Até o pior dos mundos cristãos eu preferiria ao melhor dos mundos pagãos, por que num mundo cristão fica sempre um lugar para os que não o tem no pagão: para os inválidos e enfermos, para os anciãos e desvalidos. E porque há mais do que um lugar: há amor para aqueles que resultam inúteis num mundo pagão e para os ateus”.

A caridade miúda, chamada de assistencialismo, é também fruto do amor. É verdade que temos “que ensinar a pescar”, mas se à minha porta tenho um filho de Deus que há uma semana  não comeu nada  tenho que lhe dar um peixe para saciar o seu estômago vazio.
A caridade põe ternura à justiça que as vezes não vê as pequenas coisas, faz regras gerais e não vê as particularidades. Não gosto muito do símbolo que representa a justiça: uma mulher com os olhos cobertos e uma balança na mão. Não gosto porque a justiça deve ter os olhos bem abertos para ver todas as realidades, como o amor cristão que vai à procura dos pequenos, e a báscula, por desgraça, não tem as mesmas medidas que a paixão de Deus tem pelo homem, especialmente os excluídos e os afastados pelas leis dos sistemas económicos e sociais.

O amor, sim, cobre a multidão dos pecados acolhendo a todos aqueles que não encontram, como Jesus, lugar para eles na hospedaria (cf. Lc 6 ss.).