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Tema Anual: Reflexão para o mês de Março PDF Imprimir e-mail
01-Mar-2010
Mulheres e crianças são as maiores vítimas da pobreza.
A fome tem rosto “feminino” e de “criança”.
As mulheres, com os seus múltiplos talentos e recursos, prestam um enorme contributo à família, à sociedade e à Igreja. No entanto, não só a sua dignidade e contributo não foram ainda completamente reconhecidos e apreciados, mas também são frequentemente privadas dos seus direitos. Apesar do grande progresso feito na educação e desenvolvimento da mulher, nos países pobres, o desenvolvimento das raparigas e das mulheres é geralmente desproporcionado em relação ao dos rapazes e dos homens;as raparigas e as mulheres são em geral, tratadas injustamente.

No Sínodo da Igreja em África, os Padres sinodais condenam todos os actos de violência contra as mulheres, por exemplo, o maltratamento da esposa, a negação às filhas do direito à herança, a opressão das viúvas em nome de tradição, os casamentos forçados, a excisão, o tráfico de mulheres e tantos outros abusos, tais como a escravidão sexual e o turismo sexual. Todos os outros actos desumanos e injustos contra a mulher são igualmente condenados.

Os Padres sinodais propõem:
- a formação humana integral das meninas e das mulheres (intelectual, profissional, moral, espiritual, teológica, etc.);
- a criação de “casas de abrigo” para as meninas abusadas e mulheres que buscam um refúgio e desejam ser aconselhadas pastoralmente (“counselling”);
- uma estreita colaboração entre as Conferências episcopais em ordem a parar com o tráfico das mulheres;
- a constituição de comissões a nível diocesano e nacional para tratar dos assuntos das mulheres e para as ajudar a levar melhor a cabo a sua missão e na Igreja.

As crianças
Infelizmente, a fome tem também rosto de “criança”. Podemos dizer que são a primeiras vitimas das injustiças, da má distribuição dos bens e das riquezas de mundo. Concretamente, os rostos mais familiares de crianças famintas são: as crianças “não nascidas” (“abortos”), os órfãos, as crianças de rua, as crianças abandonadas, as crianças-soldado, as crianças presas, as crianças sujeitas ao trabalho infantil, as crianças deficientes (física e mentalmente), as crianças vendidas como escravos sexuais, as crianças traumatizadas e sem qualquer orientação cristã nem enquadramento humano.
Os Padres sinodais convidam as Igrejas locais a dedicarem, no quadro da “Pastoral da criança”, uma atenção especial a estas crianças em situação de grande vulnerabilidade e que nas escolas católicas recebam a Palavra de Deus, apoio psicológico, a cultura da justiça e da paz, e aprendam uma profissão de modo que possam vir a ser membros bons e saudáveis da sociedade. As crianças, que são um dom de Deus à Humanidade, devem merecer um cuidado particular por parte da família, da Igreja, da sociedade e dos governos. As crianças são as portadoras da novidade de  vida: elas são apóstolos nos seus meios e a esperança das suas famílias, bem como da sociedade e da Igreja.

Pe. Ramón Cazallas