Liturgia do Natal do Senhor
25/12/2018
Glória a Deus e paz na terra

Is 9, 1-6; Tit 2, 11-14; Lc 2, 1-14

Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados”. É o canto dos anjos nessa noite abençoada em que o Céu baixou à terra. Abre-se o Céu e nessa liturgia celeste dá-se o primeiro anúncio de um mistério que se irá pouco a pouco revelar. Correm os pastores, primeiros missionários dessa notícia que o mundo abalou. Vêem, acreditam, contemplam e adoram. Depois anunciam aos outros o que viram e acreditaram. É em miniatura a dinâmica missionária da Igreja, que anuncia o mistério divino entre os homens, portador de paz e glorificador de Deus.

Abençoada terra que recebeu a visita do Filho de Deus. O Deus que tudo abrange, e no qual vivemos e existimos, escolheu a terra para sua morada. Essa terra que devemos amar e respeitar. Poderemos nós manchar ou destruir a morada de Deus no meio de nós? E se Deus amou de tal modo esta nossa humanidade que lhe deu o próprio Filho, não devemos nós amar-nos uns aos outros partilhando o que nos for concedido? Só o amor feito dádiva pode transformar o nosso planeta incutindo nas mentes e corações pensamentos e gestos de fraternidade e de paz.
     
“Glória a Deus”, cantam os anjos, porque dele tudo parte e para Ele tudo volta. Dar glória a Deus, é a primeira mensagem que o mundo recebe. Dá glória a Deus quem vive na sua presença. Dá glória a Deus quem faz a sua vontade. Dá glória a Deus quem ama o seu semelhante. Dá glória a Deus quem no mundo constrói a sua paz.

“Paz na terra aos homens por Ele amados”. Quem se sente amado por Deus não sabe viver sem a sua paz. E quem acolhe o amor de Deus no seu coração torna-se difusor dessa paz. Porque se tornou morada de Deus, a terra não pode ser feliz sem esta paz. Angústias e solidões, guerras e violências são fruto da falta de Deus, que é portador de paz. Onde Deus for honrado e glorificado, aí será honrado também o homem. Onde o homem for respeitado, aí mesmo se respeita Deus. “A glória de Deus é o homem vivente”, dizia Santo Irineu.

Neste Natal – que é de todos os dias –é urgente que os anjos tornem a cantar. Que nos convidem a dar glória a Deus, se queremos paz na terra. Que nos estimulem a construir a paz para que Deus seja por todos glorificado. Ninguém poderá fazer calar essas vozes do céu lançadas sobre a terra. É necessário que cada um de nós se torne por toda a parte “anjo” anunciador dessa bela notícia que é Deus no meio de nós. É necessário que todos voltemos a cantar, pelos caminhos do mundo, até sufocar os rumores da guerra ou da injustiça no canto da paz. É necessário que nos tornemos como os pastores anunciadores da alegria com que Deus inundou a terra e a difundamos nas famílias divididas, nos adolescentes abusados, nos jovens desnorteados, nos trabalhadores explorados e em todos os recantos da terra.

Darci Vilarinho