Mártir Leonella Sgorbati e a maturidade da fé
17/09/2019
Protetora dos Missionários e Missionárias da Consolata em 2019, a Ir Leonella, mártir da fé, foi beatificada pela Papa Francisco em 26 de maio de 2018, e é apresentada como modelo de santidade

Dia 17 de setembro fazemos memória da Protetora dos Missionários e Missionárias da Consolata para o ano 2019. As suas últimas palavras foram: “perdoo, perdoo, perdoo”
Irmã Leonella Sgorbati, enfermeira missionária da Consolata (MC) italiana martirizada na Somália, um domingo, 17 de setembro de 2006, enquanto atravessava a rua, depois de dar aula no hospital em Mogadíscio onde trabalhava. Irmã Leonella foi assassinada a tiros por dois extremistas islâmicos. O muçulmano Mahamud Mohammed Osman, que a escoltava, também morreu. Levada para o hospital acabou falecendo. As suas últimas palavras foram: “perdoo, perdoo, perdoo”. São as mesmas palavras de Jesus quando perdoou os que o crucificaram: “Pai, perdoa-lhes por que não sabem o que fazem”. Seus restos mortais foram sepultados em Nairóbi, no Quênia.

Na homilia durante a celebração da sua beatificação, o cardeal Amato afirmou: “Irmã Leonella faz parte de um cortejo de benfeitores da humanidade pobre e necessitada que foram mortos por ódio à fé cristã”. Ao comentar as últimas palavras pronunciadas pela mártir, (“perdoo, perdoo, perdoo”), o cardeal disse: “Estas palavras constituem a carta de identidade do mártir cristão que não é um assassino, mas uma vítima desamparada e inocente. O mártir cristão recebe o mal por bem, morte por vida e ao rancor responde com amor. Seguindo os ensinamentos de Jesus, o mártir não se vinga pela ofensa recebida, mas perdoa, reza e faz o bem por aqueles que o perseguem. O martírio da Irmã Leonella, se torna então, sinal de esperança espalhado sobre a terra da humanidade que dará flor e fruto de bem. Diante das forças obscuras da morte, o mártir cristão mostra o horizonte luminoso da vida. O martírio da nossa bem-aventurada convida a depor as armas e a transformá-las em instrumentos de trabalho e de paz”.

A superiora Geral das missionárias da Consolata, Irmã Simona Brambilla, assim se expressou: “hoje, é verdadeiramente um dia de alegria muito grande, dia de ação de graças para a Família Consolata e para toda a Igreja. Hoje celebramos a beleza, a fecundidade, a profundidade e a radicalidade da nossa vocação cristã. O martírio da Irmã Leonella nos leva às raízes profundas do nosso ser cristão, ou seja, pessoas apaixonadas por Cristo, pertencentes a Cristo, conquistadas por Cristo e por Ele e em Ele transformados. A celebração de hoje é então, uma festa vocacional, uma ocasião preciosa de fazer memória grata da essência verdadeira e cristalina da nossa vocação cristã”.

Conforme vemos, a vida da Irmã Leonella resume o desejo do nosso Pai Fundador, o Bem-aventurado José Allamano que nos queria missionários e missionárias santos, centrados em Cristo e na missão ad gentes onde o anúncio do Evangelho e a promoção humana são duas faces da mesma moeda. Assim, na mártir Leonella encontramos a identidade e o propósito da nossa vida: "uma família de pessoas consagradas para a missão ad gentes por toda a vida".

Aqui redescobrimos o sentido original da nossa vocação: deixar a nossa família, nossa casa, nossa cultura, o nosso ambiente, para alcançar um ideal cujo horizonte é o mundo. Paixão por Cristo e pela humanidade. Eis a nossa santidade no estilo dos Missionários e Missionárias da Consolata vivida na radicalidade pela mártir Irmã Leonella. Ela era apaixonada pela sua vocação e vivia-a com alegria, sentindo-se realizada na sua doação total ao Senhor na missão. Encontramos nela “sinal claro da maturidade da fé”.

Conforme afirma a São João Paulo II na Encíclica Redemptoris Missio: “A ação evangelizadora da comunidade cristã, primeiramente no próprio território e depois, mais além, como participação na missão universal, é o sinal mais claro da maturidade da fé. Impõe-se uma conversão radical da mentalidade para nos tornarmos missionários — e isto vale tanto para os indivíduos como para as comunidades. O Senhor chama-nos constantemente a sair de nós próprios, a partilhar com os outros os bens que temos, começando pelo mais precioso, que é a fé” (RM 49).

Biografia
Com o nome de Rosa Maria, a bem-aventurada Leonella nasceu em Gazzola, perto de Piacenza, norte da Itália, no dia 9 de dezembro de 1940. Ingressou na congregação das missionárias da Consolata (MC), em 1963, professando os votos perpétuos em 1972. Estudou enfermagem na Inglaterra e, em 1970, foi designada a trabalhar no Quênia, onde, em 1985, dirigiu a escola de enfermagem adjunta ao Hospital Nkubu. Em 1993, foi eleita superiora Regional das missionárias da Consolata no Quênia.
Em 2001, transferiu-se para Mogadíscio, capital da Somália, onde abriu uma escola de enfermagem na cidade. Em 2006, antes de ser assassinada, formaram-se os primeiros 34 enfermeiros jovens somalis de maioria muçulmana.

Beatificação
Irmã Leonella foi beatificada no dia 26 de maio de 2018, durante celebração na catedral de Piacenza, na Itália. A missa foi presidida pelo cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, em nome do Papa Francisco. Participaram da missa cerca de 3 mil pessoas entre as quais um grande número de missionários e missionárias da Consolata, leigos e leigas, vindos de diversos países. O cardeal de Nairóbi, dom John Njue e o bispo Djibuti e administrador Apostólico de Mogadíscio, dom Giorgio Bertin, também estiveram na celebração.
Bem-aventurada Leonella Sgorbati, rogai por nós!!!!

Jaime C. Patias, IMC, Conselheiro Geral para América