Liturgia da Festa de Cristo Rei
24/11/2019
Eis o nosso Rei

2 Sam 5, 1-3; Col 1, 12-20; Lc 23, 35-43

Cristo é Rei do Universo. Sabias? “Nós somos da mesma carne”. Nele se encerra toda a esperança da salvação, porque um dos nossos é Rei. É um Reino que não é deste mundo. Um Reino onde a paz e a justiça se abraçam e onde o amor faz lei. Somos um Reino de irmãos, onde cada um é rei, porque fomos sagrados no batismo para a missão de servir e dar a vida. Ele será nosso Rei, se o colocarmos como motor da nossa vida e ação. E seremos sacramento da sua ação no mundo.

JNRJ: é o título que encima a cruz de Jesus: Jesus Nazareno Rei dos Judeus. Escrito em hebraico, em grego e em latim, para que todo o povo compreenda o motivo da sua morte. Um rei crucificado! Ignomínia, escândalo, equívoco? Pelo contrário. É só a certeza de que o seu Reino, que não tem nada a ver com os nossos reinos, se conquista pela cruz. É um Rei que se imola para que no mundo triunfe a verdade, a justiça e a paz, e que procura seguidores.

Efetivamente, disse Jesus noutra ocasião: “Sabeis que os chefes das nações as governam como seus senhores, e que os grandes exercem sobre elas o seu poder. Não seja assim entre vós. Mas, quem entre vós quiser fazer-se grande, seja o vosso servo; e quem no meio de vós quiser ser o primeiro, faça-se o último. Como o Filho do Homem que não veio para ser servido, mas para servir”. Eis o sentido da realeza de Cristo. Não há maior dignidade e realeza do que pôr a nossa vida ao serviço da humanidade. Por isso, celebrar a Festa de Cristo Rei do Universo não é celebrar um Deus forte e dominador que Se impõe do alto do seu trono, que comanda tropas ou conquista terras. É celebrar um Deus que serve, que acolhe e que reina nos corações com a força desarmada do amor.

E nós como é que nos situamos perante tudo isto? Diante deste “rei” despojado de tudo e pregado numa cruz, são mesmo ridículas as nossas pretensões de honras, de glórias e de aplausos. Perante um Rei que dá a vida por amor, não têm sentido as nossas manias de grandeza nem as lutas para conseguirmos mais poder ou as rivalidades mesquinhas que nos magoam e separam dos nossos irmãos. Dá para meditar e mudar as nossas atitudes.

Temos assim em nossas mãos a chave para abrir a porta do reino. Não poderemos reconhecê-lo como nosso Rei no Céu, se não o tivermos visto, amado, vestido e socorrido aqui na terra em cada rosto que traz a sua marca. Abramos então porta a cada próximo para que Jesus não nos feche a sua. Não procuremos outras chaves, porque só esta nos abre a porta da eternidade. “Eis que estou à porta e bato, se alguém me abrir, entrarei e cearei com ele e ele comigo”. É, aliás, o que está escrito no capítulo 25 do Evangelho de S. Mateus: “Vinde, benditos do meu Pai, ocupar o Reino desde sempre preparado para vós, porque tive fome e me destes de comer, tive sede...”. É a síntese da mensagem que Jesus pregou: Deus é nosso Pai e nós somos todos irmãos. É a página do nosso exame final, pela qual todos seremos interrogados pelo nosso Rei e Senhor. Estudemo-la bem, treinemo-nos com respostas quotidianas, porque no dizer de S. João da Cruz “no entardecer da vida seremos julgados pelo amor”.

Darci Vilarinho