«75 anos de história não são um ponto de chegada, mas de partida»
07/10/2019
A Família Missionária da Consolata esteve reunida em Fátima, assinalou o encerramento das comemorações do Jubileu dos 75 anos da Consolata em Portugal, e fez-se um apelo a intensificar o trabalho em rede

«A celebração dos 75 anos de presença dos Missionários da Consolata em Portugal não deve ser tanto um motivo para nos gloriarmos, não é uma meta, mas sim um reinício, um voltar a partir», disse este domingo, 6 de outubro, em Fátima, o padre Giovanni Treglia, Superior da Região Europa deste instituto missionário. Estas palavras foram proferidas na homilia da Eucaristia de encerramento da Assembleia Nacional da Família Missionária da Consolata (FMC), evento que ditou também o encerramento das comemorações dos 75 anos de presença da Consolata em Portugal.

O primeiro Superior Regional da recém-criada Região Europa do IMC, encontrou-se pela primeira vez com representantes da FMC e, pelo facto, partilhou essa alegria com todos. Na homilia, em italiano, mas com o auxílio de um tradutor para português, o padre Treglia começou por manifestar a «grande alegria de poder celebrar com esta família» os 75 anos de presença da Consolata em Portugal.

Destacando que mais que uma meta, os 75 anos são um ponto de partida, Gianni Treglia partiu do Evangelho do dia, em que os apóstolos, diante das dificuldades e das exigências no seguimento de Jesus, lhe suplicam: «Aumenta a nossa fé». Mas, para Jesus, «não se trata de ter ou não uma fé gigante, trata-se, isso sim, de olhar para a qualidade da nossa relação com Jesus, de estarmos inseridos na sua missão», explicou. Ao assinalar estes 75 anos de missão, o missionário da Consolata italiano desafiou a assembleia a pedir ao Senhor, «mais que a aumentar a nossa fé, aumentar a qualidade da nossa pertença a Ele, da nossa relação com Jesus”. Além disso, sublinhou o padre Gianni, «devemos perguntar-nos continuamente porque estamos a celebrar estes 75 anos». E conclui apontando o verdadeiro perigo: «Quando tiverdes feio o que deveis fazer, sereis ‘inúteis servos’», citando o Evangelho do dia. E arriscou apontar um caminho: «Não olhar para trás com pretensão de méritos, de reconhecimento, de dizer que somos bons», mas sim ter a consciência de que «fizemos o que devíamos fazer, sem esperar reconhecimento». E foi neste ponto que citou o beato Allamano, quando dizia: «O bem deve ser bem feito», pelo simples facto «de ser um bem», concluiu o presidente da celebração.

«Não trabalhar para, mas com»
Antes da missa de encerramento da Assembleia da FMC, os participantes estiveram reunidos no auditório, dando continuação aos trabalhos do dia anterior. O padre José Matias fez notar a ausência de muitos dos habituais participantes neste tipo de encontros nacionais, e atribuiu o facto a uma possível falha de comunicação e divulgação do evento junto dos vários grupos que compõem a FMC. Por outro lado, alguns participantes pediram que se fortaleçam as plataformas de comunicação já existentes ou, se for o caso, que se criem outras novas para que a comunicação do que acontece nos grupos e na missão possa fluir e ter maior visibilidade para todos.

Para terminar os trabalhos, o padre Bernard Obiero, conselheiro da Região Europa, e que coordena o grupo IMC Portugal, disse que é preciso «continuar o trabalho que aqui se iniciou», e, ainda que seja «difícil concretizar o que aqui foi dito», convidou os presentes a um reforço do trabalho em rede, a uma maior colaboração entre todos, organizando e projetando em conjunto. E citou as palavras de uma Leiga Missionária da Consolata, Viviana Nunes, quando, numa partilha feita no dia anterior, pediu: «Não trabalhar para, mas trabalhar com». «Todos temos que ser protagonistas», concluiu o missionário queniano, desde 2012 em Portugal.  

Esta assembleia nacional  decorreu neste fim de semana (5 e 6 de outubro) nas instalações dos Missionários da Consolata, em Fátima. Foi organizada pelos padres Domingos Forte, Ramón Casallas e José  Matias e contou com a presença de cerca de 70 pessoas dos grupos que integram a FMC: padres e irmãos do Instituto Missionários da Consolata (IMC), Irmãs Missionárias da Consolata (MC), Jovens Missionários da Consolata (JMC), Leigos Missionários da Consolata (LMC), Mulheres Missionárias da Consolata (MMC), Amigos Missionários da Consolata (AMC), Solidários Missionários da Consolata (SMC), assim como zeladores, voluntários, amigos e benfeitores.

O primeiro dia do encontro contou com a participação de Carlos Liz, consultor de mercados e estudos de opinião e que criou metodologias dinâmicas de participação e de trabalhos em grupos, deixando aos presentes algumas mensagens fortes sobre como ativar a novidade na missão, hoje. A organização do encontro informou os presentes que as conclusões desta assembleia serão apresentadas oportunamente. Neste sentido, os coordenadores dos grupos foram desafiados a promoverem encontros da FMC nas zonas respetivas (norte, centro e sul), para refletirem, concretizarem e aplicarem localmente essas conclusões.

Albino Brás