Liturgia do 5º Domingo Comum – Ano B
04/02/2018
Jesus e o sofrimento humano

Job 7, 1-7; 1 Cor  9, 16-23; Mc 1, 29-39

A Palavra de Deus do 5º Domingo comum, Ano B, mostra-nos a relação de Jesus com o sofrimento humano. Jesus manifesta um coração sensível perante a dor que nos aflige. A cura da sogra de Pedro, e de tantos outros doentes à porta da sua casa, confirma-nos essa atenção especial para com as pessoas que sofrem. É interessante notar que uma terça parte do Evangelho de São Marcos fala-nos de Jesus em contacto com os doentes. Ele é o médico das almas e dos corpos. Aproxima-se deles, acolhe os seus pedidos, cura os seus males. Leprosos, cegos ou paralíticos experimentaram a sua ternura e compaixão.

Ainda hoje, há uma grande porção da humanidade que grita a sua dor e a sua frustração “pela guerra, pela violência, pela injustiça, pela miséria, pela exclusão, pela marginalização, pela falta de amor… A Igreja de Jesus Cristo (a “casa de Pedro”) tem uma proposta libertadora que vem do próprio Jesus e que deve ser oferecida a todos estes irmãos que vivem prisioneiros do sofrimento…”.
Jesus passa de aldeia em aldeia não só para pregar a Palavra do Pai, mas também para curar e libertar do poder do mal. É um sinal claro de que evangelização e promoção ou libertação das pessoas caminham juntas no projeto de Jesus. Ninguém pode contestar o serviço da Igreja neste importante sector, tanto no presente como no passado. Testemunhas e obreiros disso são os missionários que no mundo de hoje prolongam a missão de Cristo Salvador.

Todos Te procuram - “De manhã, muito cedo, levantou-se e saiu. Retirou-se para um sítio ermo e aí começou a orar. Simão e os companheiros foram à procura dele e, quando o encontraram, disseram-lhe: «Todos Te procuram».
“Se Jesus se retira para um lugar deserto - diz um comentador - não é para fugir do mundo, mas para falar do mundo a seu Pai. Ele proclama a Boa Nova. E qual é esta Boa Nova senão a sua proximidade junto de quem mais sofre, a libertação da humanidade e a glória de Deus?
É esse o convite que Jesus nos faz: sermos próximos de quem sore, estendendo as mãos aos nossos irmãos em humanidade e, ao mesmo tempo, erguer os olhos para Deus na oração. Rezar não é perder tempo…
É verdade: há tantos doentes a curar, o sofrimento é um oceano inesgotável! Então, porque Se retira Jesus para um lugar deserto para rezar? Face às urgências do momento, não deveria ficar no meio dos pobres para os aliviar? Jesus quer fazer compreender que os seus milagres são sinais que apontam para outra realidade, infinitamente mais importante: a sua vitória sobre o único mal que pode verdadeiramente matar os homens, o pecado, a recusa do amor. É para isso que o seu Pai o enviou. Jesus deve, pois, alimentar-se desta vontade do Pai, para a cumprir até ao fim. Passar tempo a rezar não é perder o seu tempo. Pelo contrário, é deixar a vontade do seu Pai invadi-lo cada vez mais. É isso que Jesus quer fazer compreender aos discípulos de então e de hoje: é preciso que também eles se enraízem cada vez mais profundamente neste amor do Pai”.

Anunciar o Evangelho passa por aqui. “Ai de mim se não evangelizar! Fiz-me tudo a todos a fim de ganhar alguns a todo o custo”, diz-nos S. Paulo. Evangelizar não é só anúncio de doutrina. Qualquer pregoeiro o pode fazer. Evangelizar é incarnar a mensagem de Jesus e viver como Ele ao lado de cada pessoa, entrando na sua vida e deixando que ela entre na minha. É viver de tal modo unido a todos que nada do que se passa com eles me deixa indiferente. Fazer-se servo de todos, ser totalmente e gratuitamente para todos, como a mãe para os seus filhos. Uma palavra ou um gesto de alívio e de esperança a quem procura, a quem duvida, a quem sofre, a quem passa por uma ocasião difícil, é um modo de testemunhar a nossa fé, é “deixar simplesmente transparecer a força que nos habita…”.

Darci Vilarinho