Liturgia do 5º Domingo Comum – Ano A
05/02/2017
Luz e sal da terra

Is 58 7-10; 1 Cor 2, 1-5; Mt 5, 13-16

O Evangelho do 5º Domingo Comum tem duas imagens, o sal e a luz, que nos indicam a atitude de coerência dos discípulos de Jesus. “Vós sois o sal da terra! Vós sois a luz do mundo!”. Compreenderemos melhor o que Jesus quer dizer se reflectirmos sobre as propriedades e o significado do SAL e da LUZ.

Deitamos sal nos alimentos para lhes dar sabor ou então para os conservar. Mas o sal tem também um significado simbólico:
1. O sal da aliança e da solidariedade. No Antigo Oriente fazia-se o pacto do sal, sinónimo de aliança inviolável (cfr. Num 18, 19). Assim como o sal conserva os alimentos assim a aliança se torna duradoira. Os Árabes, ainda hoje, para indicar uma profunda solidariedade, usam a expressão: “Há sal entre nós”.
2. O sal do amor: “Tende sal em vós mesmos e vivei em paz uns com os outros” (Mc 9, 50). Ainda hoje entre os Árabes vigoram expressões como estas: “Amo-vos como amo o sal”.
3. O sal da vida. No Oriente fricciona-se com o sal a criança recém-nascida para lhe dar vigor e vitalidade (cfr. Ez 16, 4) e também para afastar dela os espíritos do mal.
4. O sal da sabedoria. Para indicar uma pessoa sem juízo ou sem cabeça dizemos que é uma pessoa insípida ou, como diz o povo, insonsa. Deitar o sal da inteligência ou da reflexão nas próprias palavras significa tornar-se pessoas capazes de aconselhar, de confortar e guiar os outros: “Que a vossa palavra seja sempre amável, temperada de sal, para que saibais responder a cada um como deveis” (Col 4, 6).
5. O sal da morte. A água salgada não mata a sede. O sal deitado sobre a ferida queima. As camadas de sal do Mar Morto, na Palestina, não permitem que haja vida. Tanto no Oriente como para os Gregos e Romanos, quando se queria considerar morta para sempre uma cidade conquistada e arrasada, deitava-se sal sobre as suas ruínas.
6. O sal da maldição. Na Bíblia fala-se várias vezes da “maldição do sal” (Dt. 29, 22;  Jer 17, 6).
7. O sal da purificação. As vítimas destinadas ao sacrifício eram aspergidas com sal para que fossem purificadas.     

A LUZ que ilumina e aquece, tem igualmente um grande significado:
1. Foi a primeira criatura que Deus criou: “Faça-se a luz”.
2. Jesus apresenta Deus como Luz: “Deus é luz e nele não há nenhuma espécie de trevas” (1 Jo 1, 5).
3. A Palavra de Deus é luz: “Lâmpada para os nossos passos é a tua palavra” (Sal 109, 105).
4. Jesus proclama-se a luz verdadeira que veio ao mundo para iluminar todos os homens (Jo 1, 5; 8, 12).
5. A luz é fonte de vida: o mundo imerso numa perene escuridão morreria, tal como morre uma planta sem luz.

“Vós sois o sal da terra. Vós sois a luz do mundo”. É a nossa identidade de cristãos. O sal dá sabor e não deixa corromper. É sinal de sabedoria, amizade e disponibilidade para o sacrifício. Perde-se no meio dos alimentos para lhes dar sabor. Assim nós no meio das pessoas. “Vós sois a luz”: quem tem o sabor de Cristo, é luz. Por Ele e nele somos iluminados para sermos também nós luz para os outros. Misturados no meio das pessoas, não podemos esquecer esta missão sagrada que Ele nos confiou: ser sal da terra e luz do mundo. De que modo? Através das obras de misericórdia: “Reparte o teu pão com os esfomeados, dá abrigo aos infelizes sem casa, atende e veste os nus e não desprezes o teu irmão. Então a tua luz surgirá como a aurora e as tuas feridas não tardarão a cicatrizar-se”(1ª leitura). A caridade concreta renova, dá sabor e ilumina toda a nossa vida. A religião verdadeira apoia-se em obras de misericórdia, que libertam as pessoas. “Todas as vezes que fizestes isto ao mais pequeno dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes”. Quanto mais obras de amor fizeres mais te aproximarás de Jesus, luz do mundo, e mais serás luz para os outros.

Darci Vilarinho