Liturgia do 31º Domingo Comum – Ano B
04/11/2018
Só o amor conta

Dt 6, 2-6; Hebr 7, 23-28; Mc 12, 28-34

Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos é o verdadeiro culto que poderemos prestar ao Senhor. É a novidade que Jesus veio trazer para renovar o homem na profundidade do seu ser. No fim da nossa vida seremos julgados pelo amor. Só isso importa. Só isso vale perante o nosso Deus.
Esta é a única mensagem que nos faz felizes: Amarás o Senhor teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças, e amarás o teu próximo como a ti mesmo. Foi Jesus quem o disse e Ele nunca enganou ninguém. Por isso há que transformar cada momento da nossa vida num ato perfeito de amor.

Reza assim um pequeno texto de Santo Agostinho: "Ainda que todos se persignassem ou benzessem, respondessem "Ámen" ou cantassem o Aleluia, ainda que todos recebessem o batismo, entrassem nas igrejas ou fizessem construir basílicas, é um facto que só o amor distingue os filhos de Deus… Os que têm amor nasceram de Deus, os que não o possuem, (ainda) não nasceram de Deus. É este o grande critério de discernimento. Se tivesses tudo, mas te faltasse esta única coisa, de que te serviria o que tens? Se não tiveres outras coisas, mas possuíres esta, tens tudo…".

Que características há-de ter este amor para ser completo?
1. Terá que ser universal este nosso amor, quer dizer, dirigido a todos. O amor simplesmente humano ama só alguns e põe de lado outros: os do próprio sangue, os da própria raça, os da própria religião ou partido, os mais ricos, mais honrados, mais bonitos ou mais simpáticos. Não! O amor sobrenatural não faz distinções.

2. Para ser como aquele que Jesus teve para connosco (manifestado em toda a sua vida e morte na cruz), o amor deve dar o primeiro passo, isto é, deve ser o primeiro a amar. Não como faz o mundo, onde por vezes se ama porque se é amado, ou por interesse, ou por simples amizade, ou por outras razões egoístas…

3. O amor autêntico leva-nos a descobrir Jesus em cada próximo e a traduzir em caridade genuína todos os contactos que tivermos durante o dia. Quantos contactos de manhã à noite… Em casa, no escritório, na escola, na rua, no convívio, ao telefone… mil ocasiões para viver o amor para com todos, sem excluir ninguém e sem esperar que os outros dêem o primeiro passo. Só isto bastaria para revolucionar o mundo e criar novos laços de unidade entre as pessoas.

4. Depois, para amar como Deus ama, há que fazer de tudo para entrar na alma de cada um dos nossos irmãos: para perceber os seus problemas e as suas exigências; para partilhar as suas dores e alegrias, para entrar em sintonia com ele, a fim de que se sinta amado, compreendido e aliviado nos seus pesos e nas suas penas. É um amor que rompe todos os gelos, faz bem aos outros e faz bem a nós.

Darci Vilarinho