Liturgia do 20º Domingo Comum - Ano B
19/08/2018
Felizes os convidados

Prov 9, 1-6; Ef 5, 15-20; Jo 6, 51-56

Há vários domingos que estamos a ser instruídos por Jesus sobre o pão da vida: o pão da Palavra de Deus e o pão da Eucaristia. Escrevendo aos cristãos de Corinto S. Paulo recomendava que cada um fizesse um exame de consciência sobre o modo como participava na refeição eucarística. Se calhar também nós precisamos de olhar para o modo como participamos deste banquete sagrado que Jesus nos oferece.
Poderíamos partir das objeções que por aí se fazem contra a Missa.

1. Dizem alguns: Para que é que serve a Missa? Eu vou à Igreja quando me apetece, e se não há ninguém a ver-me, tanto melhor, porque rezo melhor sozinho....
Geralmente esta frase é acompanhada por uma certa comiseração por aqueles que vão à missa: coitados!... E não conseguem libertar-se de uma mentalidade legalista na sua relação com Deus... Não têm uma relação direta e espontânea com o Senhor!!!...
Para Jesus a eucaristia não é uma oração privada ou uma comovente experiência espiritual: é um evento, uma ação. É o “memorial”, ou seja, uma memória que não comemora um facto passado, mas que o torna presente: é o acontecimento (evento) da morte e ressurreição de Cristo, atualizado aqui e agora para aqueles que estão reunidos no nome de Jesus e a celebrar a sua Ceia. Com certeza que nós podemos e devemos rezar também no nosso próprio quarto, mas tal oração, por mais intensa e fervorosa que seja, não é um “comer a ceia do Senhor”.

2. Há outra objeção que se ouve por aí: “Em vez de ir à missa, eu prefiro praticar uma boa ação, que é mais útil e eficaz!...”. De resto – diz-se ou pensa-se – onde é que está escrito que os que vão à Igreja são melhores do que aqueles que não vão?  Por detrás desta objeção há a ideia de que Jesus Cristo veio à terra para fazer de nós pessoas “bem comportadas” e bem-educadas... para nos ensinar a cumprir boas ações!....
Veio até nós por razões muito mais profundas. Encarnou no meio de nós para nos tornar pessoas renovadas, à sua imagem de “Homem Novo”, para nos fazer morrer ao pecado e ressurgir para uma vida nova. Não é possível para um cristão viver como Cristo, sem se radicar nele, sem crescer numa profunda comunhão com o mistério da sua morte e ressurreição. Disse-o Ele: “Sem mim nada podereis fazer”. E rezou ao Pai para que fôssemos uma só coisa com Ele....

3. Uma terceira objeção: “Eu vou à missa só quando me sinto numa verdadeira necessidade!...”. Vai-se à missa com a intenção escondida de tirar vantagens pessoais ou de impedir algum castigo da parte de Deus... Quando uma doença bate à porta.... Quando morre alguém de família, porque participar é um ato social... Quando se precisa de um emprego para si próprio ou para os filhos... Ou então quando se quer resolver algum problema afetivo...
Mas a missa não é para isso. Ela vai muito mais além: é a “representação real”, aqui e agora, da morte e ressurreição de Cristo. Não é uma simples comemoração daquilo que Jesus fez na última ceia, não é uma recordação emotiva da sua Páscoa. É realmente o seu Corpo oferecido por nós. É o seu Sangue derramado por nós e pelo mundo inteiro. A Eucaristia é a própria Pessoa de Jesus no acto renovado de se entregar por nós. Fazer comunhão com Jesus é muito mais do que um acto intimista e sentimental. É comungar com Ele, crucificado e ressuscitado! É um unir-se a Ele para nos entregarmos também nós ao Pai e aos irmãos. Unindo-nos a Si, Cristo une-nos entre nós, como os grãos de farinha se fundem para formar um único pão e os bagos de uva um pouco de vinho. Alimentando-nos com o Pão do Céu, não o transformamos no nosso corpo ou no nosso sangue, mas somos transformados em Jesus, somos “cristificados” para melhor podermos viver como Ele nos ensinou: santificados e divinizados pela sua profunda e misteriosa união conosco. Tinha razão S. Agostinho quando chamava à Eucaristia: “Mistério de amor! Símbolo de unidade! Vínculo de caridade!”. Tal como diz Jesus no Evangelho deste Domingo: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em Mim e Eu nele”.

Darci Vilarinho