Liturgia do 19º Domingo Comum – Ano C
11/08/2019
Não temas…

Sab 18, 6-9; Heb 11, 1-19; Luc 12, 32-48

1. “Não temas, pequenino rebanho…” pede-nos Jesus no Evangelho deste Domingo. Por 366 vezes está dito na Bíblia: “Não temas” ou expressões equivalentes. Deus quer dizer-nos que nada nos pode separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus. São 366 vezes: tantas quantas os dias do ano (mesmo bissexto). Estamos nas suas mãos. Não tenhamos medo.
Jesus conhece muito bem o que se passa no coração e na cabeça dos seus discípulos e de todos os homens. Ele sabe que o medo é um sentimento que está na base de tantas nossas escolhas pessoais e sociais. O medo da pobreza, da solidão e do abandono, o medo de não sermos autossuficientes no presente ou futuro leva-nos a couraçar-nos com os bens deste mundo, as riquezas e o poder. Toda a história humana pode ser lida com o filtro do medo. Por medo, o homem esquece-se que o outro é seu irmão. Luta contra ele, arrebata-lhe a própria armadura e os seus bens. O medo é a raiz de todas as desconfianças.

2. Jesus veio ao mundo para abater todos os muros, inclusive o muro dos nossos medos. Tornou-se indefeso renunciando ao escudo da sua divindade, para nos fazer compreender que há um só a quem devemos temer: Deus, nosso Pai. Mas disse que podemos fiar-nos dele e que só o amor lança para fora o temor. É por isso que devemos pôr de lado todas as nossas defesas, tal como nos diz Jesus, quando nos convida a vender o que temos e dá-lo aos pobres para possuirmos o único tesouro, que é Ele mesmo. “Tu és, Senhor, o meu único Bem”.

3. O exemplo de Abraão é extraordinário: pela fé superou tudo, porque se fiou totalmente de Deus, mesmo quando lhe pediu coisas que pareciam contradizer a sua confiança nele. Foi pela fé e pela confiança ilimitada no seu Deus que ele conseguiu sair vitorioso.
Posso “medir” a minha fé pelo medo que deixo ou não deixo habitar no meu coração.
Posso conhecer a minha real confiança em Deus se na verdade na minha vida de todos os dias Deus for esse tesouro que as minhas mãos apertam solidamente para me sentir seguro.

4. Sou ateu ou crente?
Sou ateu quando vou à Igreja, mas a minha vida fica lá fora.
Sou ateu quando rezo com os lábios, mas fica mudo o meu coração.
Sou ateu quando levanto as mãos para pedir, e as fecho para repartir.
Sou crente quando me apercebo que o Deus que procuro está sempre a meu lado, em casa ou no carro, no trabalho ou no bar, lá onde me divirto ou descanso, lá onde sofro ou me alegro…
Sou crente quando o meu coração fica sereno e tranquilo porque nas situações mais difíceis sabe confiar.
Sou crente quando finalmente abro as mãos, deixando cair o escudo e a espada das riquezas e do poder.
Sou crente quando creio, respiro, sinto e vivo o que Jesus viveu, para que em cada canto da minha vida Ele esteja presente com a sua Palavra que inspira paz e confiança.
“Com Tua mão, segura bem a minha / E, pelo mundo, alegre seguirei: / Mesmo onde as sombras caem mais escuras/ Teu rosto vendo, nada temerei”.

Darci Vilarinho